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Opinião

O xadrez eleitoral de 2026 começa nas prefeituras do interior

Quem conta voto em Salvador costuma esquecer que o Oeste entrega mais de 600 mil eleitores e que esse bloco hoje está rachado em três.

Por Rogério Prado4 min de leitura

Escrevo isso com a convicção de quem já errou previsão o bastante para desconfiar das próprias: a eleição de 2026 na Bahia vai ser decidida no interior, e o Oeste é o pedaço mais imprevisível desse cálculo porque, pela primeira vez em três ciclos, está rachado em três.

O primeiro bloco é o do agro organizado, que não tem partido mas tem pauta e tem caixa. O segundo é o das prefeituras de porte médio, que negociam emenda e não ideologia. O terceiro, que quase ninguém mapeia, é o das cidades ribeirinhas do médio São Francisco, onde a agenda é água, saúde e estrada vicinal, e onde o discurso do agronegócio não entra.

Somados, são mais de 600 mil eleitores. Em uma eleição estadual decidida por margem apertada, isso não é detalhe regional: é o terceiro maior colégio do estado, e o único que ainda não tem dono.

O que observar até março

  • Quem assume as secretarias estaduais nas nomeações de janeiro, que é onde se paga palanque
  • Quais prefeitos de cidade acima de 50 mil habitantes trocam de partido na janela
  • Se o grupo do agro lança nome próprio para deputado federal ou negocia apoio
  • Como fica o comando do consórcio intermunicipal, que virou vitrine administrativa

Tenho ouvido, em conversa de corredor, que haveria um acordo costurado para unificar o apoio do Oeste em torno de um único nome. Não acredito. Quem conhece a região sabe que aqui ninguém abre mão de palanque próprio por carta de intenção, e que acordo nesta região se mede por obra entregue, não por foto de assinatura.

Minha aposta, e é só uma aposta: até março o quadro continua aberto, e quem tentar fechar antes disso vai gastar capital político com quem já estava decidido. Em xadrez, mover a peça cedo demais é entregar o lance.

Sobre quem assina

Rogério Prado

Jornalista político com 25 anos de cobertura em Salvador e no interior do estado. Acompanhou sete eleições estaduais e mantém a coluna de bastidores do portal, dedicada a composição de palanque, janela partidária e articulação entre prefeituras e governo do estado.